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Teratomas, Cistoadenomas e Fibromas: alterações benignas nos ovários

Escrito por
Fabiano Serra
Publicado em
31/3/2025

Os tumores ovarianos benignos são responsáveis por grande parte das massas anexiais encontradas na prática ginecológica, especialmente em mulheres em idade reprodutiva. Embora muitas vezes assintomáticos e descobertos incidentalmente em exames de imagem, alguns desses tumores podem causar dor, torção ovariana, crescimento progressivo ou até serem confundidos com neoplasias malignas.
Conhecer os três principais tumores ovarianos benignos: teratomas císticos maduros, cistoadenomas (serosos e mucinosos) e fibromas ovarianos é fundamental para o médico Ginecologista.
1. Teratoma Cístico Maduro (Cisto Dermoide)
O que é?
É o tumor de células germinativas benigno mais comum em mulheres jovens, especialmente entre 20 e 40 anos. Representa até 20% dos tumores ovarianos benignos.
Composição
Contém tecidos derivados dos três folhetos embrionários:
- Ectoderma: frequentemente pele, cabelo, dentes e glândulas sebáceas.
- Mesoderma e endoderma: menos comuns, mas podem estar presentes.
Quadro clínico
- Frequentemente assintomático.
- Pode causar dor pélvica crônica, aumento de volume abdominal ou torção ovariana (complicação mais comum).
- Raramente rompe ou maligniza (risco 1%).
Diagnóstico
- Ultrassonografia transvaginal: conteúdo heterogêneo com áreas hiperecogênicas (gordura), sombra acústica e calcificações (dentes).
- Tomografia ou ressonância podem auxiliar em casos atípicos.
Tratamento
- Cistectomia laparoscópica com preservação ovariana, especialmente em pacientes jovens.
- Ooforectomia pode ser indicada em lesões muito grandes ou recidivantes.
2. Cistoadenomas Serosos e Mucinosos
O que são?
Tumores epiteliais benignos do ovário. Podem atingir grandes volumes e, ocasionalmente, ser bilaterais.
a) Cistoadenoma Seroso
- Conteúdo seroso (claro).
- Paredes finas, geralmente uni ou multiloculado, pode ter finas septações.
- Ocorre em faixa etária ampla, com pico em torno dos 40 anos.
- Bilateralidade em até 20% dos casos.
b) Cistoadenoma Mucinoso
- Conteúdo espesso e gelatinoso (mucina).
- Pode atingir volumes gigantes (>30 cm).
- Risco de complicações como ruptura, com possibilidade de evoluir para pseudomixoma peritoneal (raro, mas grave).
- Quase sempre unilateral.
Diagnóstico
- Ultrassonografia transvaginal: cistos anecoicos, multiloculados, com septações finas.
- Avaliação da vascularização e dos marcadores tumorais (como CA-125) pode ser necessária em massas complexas.
Tratamento
- Ressecção cirúrgica (geralmente por laparoscopia), com preservação ovariana quando possível.
- Em mulheres pós-menopáusicas ou sem desejo reprodutivo, pode-se considerar anexectomia.
3. Fibroma Ovariano
O que é?
Tumor benigno sólido, derivado do estroma gonadal, mais comum em mulheres de meia-idade.
Características
- Massa sólida, firme e branca, geralmente unilateral.
- Pode ser assintomático ou causar dor pélvica e aumento do volume abdominal.
Síndrome de Meigs
Quando associado a:
- Ascite
- Derrame pleural
- Tumor de ovário benigno (geralmente fibroma)
A síndrome desaparece após a retirada do tumor.
Diagnóstico
- Ultrassonografia mostra massa sólida hipoecogênica.
- Pode ser confundido com tumor maligno devido à presença de líquido livre ou características sólidas.
- RM pode auxiliar na diferenciação.
Tratamento
- Cirurgia com remoção do tumor.
- Tentativa de preservação ovariana em pacientes jovens, embora o tumor afete mais mulheres acima dos 40 anos.

Embora sejam benignos, os tumores ovarianos como teratomas, cistoadenomas e fibromas exigem abordagem cuidadosa, especialmente em pacientes sintomáticas, com risco de complicações ou em faixas etárias extremas. O raciocínio clínico deve sempre integrar idade da paciente, características de imagem, sintomas e desejo reprodutivo.
A conduta conservadora com preservação ovariana deve ser priorizada em mulheres jovens. Já em pacientes menopausadas, a avaliação do risco oncológico deve ser mais criteriosa.