Teratomas, Cistoadenomas e Fibromas: alterações benignas nos ovários

Compartilhe

Os tumores ovarianos benignos são responsáveis por grande parte das massas anexiais encontradas na prática ginecológica, especialmente em mulheres em idade reprodutiva. Embora muitas vezes assintomáticos e descobertos incidentalmente em exames de imagem, alguns desses tumores podem causar dor, torção ovariana, crescimento progressivo ou até serem confundidos com neoplasias malignas.

Conhecer os três principais tumores ovarianos benignos: teratomas císticos maduros, cistoadenomas (serosos e mucinosos) e fibromas ovarianos é fundamental para o médico Ginecologista.



1. Teratoma Cístico Maduro (Cisto Dermoide)

O que é?

É o tumor de células germinativas benigno mais comum em mulheres jovens, especialmente entre 20 e 40 anos. Representa até 20% dos tumores ovarianos benignos.

Composição

Contém tecidos derivados dos três folhetos embrionários:

  • Ectoderma: frequentemente pele, cabelo, dentes e glândulas sebáceas.
  • Mesoderma e endoderma: menos comuns, mas podem estar presentes.

Quadro clínico

  • Frequentemente assintomático.
  • Pode causar dor pélvica crônica, aumento de volume abdominal ou torção ovariana (complicação mais comum).
  • Raramente rompe ou maligniza (risco 1%).

Diagnóstico

  • Ultrassonografia transvaginal: conteúdo heterogêneo com áreas hiperecogênicas (gordura), sombra acústica e calcificações (dentes).
  • Tomografia ou ressonância podem auxiliar em casos atípicos.

Tratamento

  • Cistectomia laparoscópica com preservação ovariana, especialmente em pacientes jovens.
  • Ooforectomia pode ser indicada em lesões muito grandes ou recidivantes.



2. Cistoadenomas Serosos e Mucinosos

O que são?

Tumores epiteliais benignos do ovário. Podem atingir grandes volumes e, ocasionalmente, ser bilaterais.

a) Cistoadenoma Seroso

  • Conteúdo seroso (claro).
  • Paredes finas, geralmente uni ou multiloculado, pode ter finas septações.
  • Ocorre em faixa etária ampla, com pico em torno dos 40 anos.
  • Bilateralidade em até 20% dos casos.

b) Cistoadenoma Mucinoso

  • Conteúdo espesso e gelatinoso (mucina).
  • Pode atingir volumes gigantes (>30 cm).
  • Risco de complicações como ruptura, com possibilidade de evoluir para pseudomixoma peritoneal (raro, mas grave).
  • Quase sempre unilateral.

Diagnóstico

  • Ultrassonografia transvaginal: cistos anecoicos, multiloculados, com septações finas.
  • Avaliação da vascularização e dos marcadores tumorais (como CA-125) pode ser necessária em massas complexas.

Tratamento

  • Ressecção cirúrgica (geralmente por laparoscopia), com preservação ovariana quando possível.
  • Em mulheres pós-menopáusicas ou sem desejo reprodutivo, pode-se considerar anexectomia.



3. Fibroma Ovariano

O que é?

Tumor benigno sólido, derivado do estroma gonadal, mais comum em mulheres de meia-idade.

Características

  • Massa sólida, firme e branca, geralmente unilateral.
  • Pode ser assintomático ou causar dor pélvica e aumento do volume abdominal.

Síndrome de Meigs

Quando associado a:

  • Ascite
  • Derrame pleural
  • Tumor de ovário benigno (geralmente fibroma)

A síndrome desaparece após a retirada do tumor.

Diagnóstico

  • Ultrassonografia mostra massa sólida hipoecogênica.
  • Pode ser confundido com tumor maligno devido à presença de líquido livre ou características sólidas.
  • RM pode auxiliar na diferenciação.

Tratamento

  • Cirurgia com remoção do tumor.
  • Tentativa de preservação ovariana em pacientes jovens, embora o tumor afete mais mulheres acima dos 40 anos.



Embora sejam benignos, os tumores ovarianos como teratomas, cistoadenomas e fibromas exigem abordagem cuidadosa, especialmente em pacientes sintomáticas, com risco de complicações ou em faixas etárias extremas. O raciocínio clínico deve sempre integrar idade da paciente, características de imagem, sintomas e desejo reprodutivo.

A conduta conservadora com preservação ovariana deve ser priorizada em mulheres jovens. Já em pacientes menopausadas, a avaliação do risco oncológico deve ser mais criteriosa.